quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonho meu


Vi um moço lindíssimo no vagão do metrô. Quase tão bonito quanto o meu moço bonito de olhos bonitos.

Falando em olhos, nem vi os olhos dele, porque o moço do metrô dormia.

Carregava uma elegante mochila e dormia, não poderia ser paulista, aliás, nem brasileiro. Brasileiros não dormiriam tranqüilamente assim.

Senti-me na obrigação de tomar conta de sua bagagem, na certa repleta de roupas caras e engenhocas estrangeiras, e dormindo, onde é que já se viu?

Pois é, eu sou a Bete, sim estou indo para o trabalho, pois é trabalho por aqui, eu sou...sou o que mesmo eu diria? Web Designer! Isso, muito elegante. Pior se ele for também e começar a falar sobre, aí eu...mudo de assunto! falo sobre o tempo e...de onde você é? e se ele falar em inglês?

Well, the book is on the table and I... sheeeeeeee…

Argentino? Melhor. Pués mira usted yo soy analista de sistemas…e seguiria enrolando por aí.

Mas o moço dormia.

Entrementes, uns manos trocaram um sinal, chegaram mais perto, de olho na bagagem o que faço agora?

Atchim! Num sonoro e forçado espirro acordei o moço.

Que olhou feio para mim, na certa me achando uma brasileira mal educada, que espirra e não cobre o nariz com as mãos.

“ESTAÇÃO PORTUGUESA-TIETÊ!”

O moço aprumou sua mochila e se foi, sem nunca ter ficado sabendo que eu cuidei dele e do seu soninho de moço estrangeiro de bem com a vida.