Você já beijou fotografias? Ah...confessa aí, vai. Verdade que é meio coisa de adolescente, mas eu conheço gente que seguiu beijando fotografias pela vida toda, incluindo esta que aqui confessa.
Mas a pergunta é: por que o fazemos? Se um ser vindo do espaço, se seres vindos do espaço existissem, e nos visse no ato, iria estranhar de nos ver encostando os lábios num pedaço de papel colorido, e ia ser complicado de explicar.
- Veja bem, senhor E.T., é que...bem.
Não há ninguem lá, e tampouco o ser "beijado" irá saber que o foi, e acho até que esse seria o contra argumento do E.T.
Mas será que o homenageado não recebe? Essa é a pergunta. Ou a resposta.
Eu beijo as fotos de minha filha, atuais e antigas. Do meu marido. Beijo outras também, mas não teria coragem de contar de quem são. Não pense bobagem, fotos de passeios antigos, de gatinhos (miau mesmo) que eu amo, pronto, já contei. Confesso também que já beijei a tela do computador, e nem era foto, era um texto, que me fez chorar de total emoção.
E quer saber? eu acredito firmemente que o homenageado recebe o carinho sim, de alguma forma, porque o amor não se perde...jogar amor no ar ou num pedaço de papel colorido é um gesto tão concreto quanto atirar uma flecha, ele chega lá.
Beijar fotos de falecidos eu acho o limite do limite da beleza, da comoção e do reconhecimento da humildade da nossa condição humana.
Beijar fotografias é um ato de fé.
Primavera, Advento, 28 de novembro, Mirian. Paz Betinha!
Sábado, Novembro 28
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